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A epidemia silenciosa da ansiedade no Brasil: por que estamos aqui?

  • Luiz Antônio de Moura
  • há 3 dias
  • 2 min de leitura


Há alguns dias, quando você abriu um aplicativo de notícias ou rolou pelas redes sociais, quantas histórias de medo viu? Economia instável, crises ambientais, polarização, guerras distantes. A ansiedade que você sente é, antes de tudo, uma resposta inteligente de um corpo que reconhece ameaças. A questão não é senti-la — é perceber quando ela deixa de proteger e passa a imobilizar.

Hoje, o Brasil lidera o ranking mundial de ansiedade. Quase 27% da população — cerca de 56 milhões de pessoas — têm diagnóstico clínico, e o número é ainda maior entre os jovens. Em outras palavras, três em cada dez brasileiros convivem com ansiedade significativa, e milhões seguem sem diagnóstico.



O colapso recente

O ano de 2024 trouxe um recorde de afastamentos por transtornos mentais: cerca de 470 mil licenças, um aumento de 68% em relação ao ano anterior. A ansiedade respondeu por um quarto desses casos, principalmente entre mulheres, gerando um impacto de R$ 3 bilhões em despesas públicas. No SUS, o número de atendimentos cresceu mais de 14% em comparação com o ano anterior.


Por que o Brasil?

Especialistas relacionam o avanço da ansiedade à combinação de fatores sociais e econômicos:

- Insegurança financeira: alta de preços e endividamento;

- Luto coletivo: mais de 700 mil mortes pela COVID-19;

- Polarização política: rupturas familiares e sociais;

- Isolamento digital: brasileiros passam, em média, cinco horas diárias no celular;

- Precarização e violência: medo constante e sensação de vulnerabilidade.

O excesso de informação e os discursos de catástrofe criam, segundo Leandro Karnal e Jonathan Haidt, uma percepção contínua de perigo, que agrava o mal-estar contemporâneo.


A sobrecarga feminina

As mulheres enfrentam um duplo fardo: menor remuneração, acúmulo de funções familiares e altos índices de violência. Entre elas, 34% apresentam ansiedade diagnosticada, quase o dobro do índice observado entre os homens. “A pressão social e econômica tornou-se insustentável”, explica o psiquiatra Arthur Danila (USP).


Quando a ansiedade deixa de ajudar

A ansiedade é natural — ela nos mobiliza diante de desafios. No entanto, torna-se doença quando é persistente, intensa e desproporcional. Segundo a OMS, ela gera medo e preocupação que interferem no trabalho, no sono e nas relações. Nesse ponto, não é mais adaptação — é sofrimento.


O que fazer?

A ansiedade tem tratamento:

- Procure o SUS: UBS e CAPS são o primeiro apoio para quem não pode recorrer à rede privada;

- Combine abordagens: psicoterapia e medicação apresentam melhores resultados quando associadas;

- Cuide do básico: sono adequado, atividade física, vínculos reais e menos tempo nas redes sociais;

- Busque ajuda em situações de crise: ligue para o CVV — 188 (atendimento 24h).



Reflexão final
A epidemia de ansiedade no Brasil reflete um contexto coletivo de insegurança e ruptura. Nomear isso é lucidez; buscar ajuda é coragem.

Se você se reconhece nessas linhas, lembre-se: você não está sozinho. Milhões de brasileiros enfrentam o mesmo desafio — e há caminhos possíveis para superá-lo.



Luiz Antônio de Moura
Psicólogo, licenciado em Letras, sociólogo e pedagogo.
Pós-graduado em Neurociências e mestre em Tecnologias Emergentes Educacionais.
 
 
 

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