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Os silêncios da mulher

Dra. Luana Pinheiro Victório
há 12 minutos
2 min de leitura

Quando calar começa a pesar


Nem todo silêncio significa paz. Às vezes, ele é apenas a forma encontrada para continuar funcionando quando já existem coisas demais para sustentar.

Muitas mulheres conhecem bem a experiência de cuidar, organizar, lembrar, antecipar problemas e perceber quando alguém ao redor não está bem. Entre trabalho, família, relacionamentos e tantas pequenas responsabilidades do cotidiano, pode acontecer algo curioso: sobra atenção para quase tudo, menos para aquilo que está acontecendo dentro de si.

Ao longo da vida, algumas mulheres aprendem que precisam ser fortes, compreensivas, disponíveis e capazes de dar conta. Aos poucos, uma insatisfação parece pequena demais para ser dita, um limite é adiado, o descanso provoca culpa e pedir ajuda pode parecer mais difícil do que continuar suportando.

E existe também aquele conhecido “está tudo bem”. Nem sempre dito para esconder alguma coisa, mas porque explicar tudo o que não está bem exigiria uma energia que, naquele momento, já não existe. O silêncio, por si só, não é um problema. Há silêncios que descansam, preservam a intimidade e ajudam a organizar pensamentos. A diferença está em perceber quando permanecer em silêncio ainda é uma escolha e quando começa a parecer a única opção.



Quando o silêncio começa a pesar


Quando sentimentos, necessidades e limites são adiados por tempo demais, o sofrimento pode começar a aparecer de outras formas. Alterações no sono, irritabilidade, ansiedade, cansaço persistente, dificuldade de concentração, desânimo ou a sensação de estar sempre no limite podem indicar que alguma coisa merece mais atenção.

Esses sinais podem ter diferentes causas, mas não deveriam ser automaticamente tratados como parte inevitável de uma rotina corrida.

Também vale questionar a ideia de que ser forte significa suportar tudo. Dar conta de muita coisa pode ser uma capacidade admirável, mas não precisa se transformar em obrigação permanente. Ser importante para tantas pessoas não torna menos legítimo também precisar de cuidado.



Um cuidado com os próprios silêncios


De vez em quando, vale perceber:

  • Tenho dito que estou bem porque realmente estou ou porque não quero preocupar ninguém?

  • Tenho adiado limites que já sei que preciso colocar?

  • Descansar tem me trazido culpa?

  • Tenho conseguido pedir ajuda e dividir responsabilidades?

  • Meu cansaço, minha irritabilidade ou minha ansiedade começaram a parecer “normais” apenas porque já fazem parte da rotina?


O primeiro passo não precisa ser uma grande mudança. Pode ser dividir uma responsabilidade, conversar com alguém de confiança, colocar um limite que vem sendo adiado ou procurar ajuda profissional quando perceber que está difícil lidar com tudo sozinha.

Cuidar de si também é parar de chamar de pequeno aquilo que vem pesando há algum tempo.

Há silêncios que trazem paz. Outros nos protegem enquanto ainda não estamos prontas para falar. Mas existem aqueles que, aos poucos, começam a pesar mais do que proteger.



Não é preciso esperar que o silêncio vire esgotamento para que ele mereça cuidado.




Dra. Luana Pinheiro Victório
Cuidando da saúde mental e estilo de vida
CRM/PR 58013
Instagram: @‌luanapvictorio

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