top of page

Pais, referências e história emocional

  • Dra. Luana Pinheiro Victório
  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

Quando o Dia dos Pais se aproxima, muita gente pensa em presentes, almoços em família e homenagens. Mas a verdade é que essa data não desperta os mesmos sentimentos em todas as pessoas.


Para alguns, ela traz boas lembranças, carinho e gratidão. Para outros, pode trazer saudade de quem já partiu, tristeza por uma relação que nunca existiu da forma esperada ou até o desejo de que o dia passe logo. Todas essas formas de sentir são legítimas.


Também é importante lembrar que a figura paterna nem sempre é representada pelo pai biológico. Ao longo da vida, outras pessoas podem ocupar esse lugar de cuidado, proteção, incentivo e segurança. Um padrasto, um avô, um tio, uma mãe que também precisou exercer esse papel ou qualquer outro cuidador pode se tornar uma referência importante na construção emocional de alguém.


Da mesma forma, existem pessoas que cresceram sem essa presença ou que viveram relações marcadas por ausência, conflitos, negligência, críticas constantes ou violência. Essas experiências fazem parte da história de cada um e podem influenciar a forma como a pessoa enxerga a si mesma, constrói vínculos e se relaciona com o mundo.

Nem toda experiência difícil se transforma em trauma. Mas algumas vivências deixam marcas que permanecem por muitos anos. Às vezes, elas aparecem na dificuldade de confiar nas pessoas, no medo do abandono, na necessidade constante de aprovação ou até na forma como alguém lida com críticas e rejeições. Nem sempre percebemos de onde esses sentimentos vêm, mas eles costumam ter uma história.


É justamente por isso que datas comemorativas podem despertar emoções tão intensas. Uma propaganda na televisão, uma publicação nas redes sociais ou uma simples pergunta sobre o que será feito no Dia dos Pais pode trazer lembranças, saudades ou sentimentos que pareciam adormecidos. Para quem viveu uma relação saudável, a data costuma representar celebração. Para quem teve uma história difícil, ela pode funcionar como um gatilho emocional.


Isso não significa que a pessoa esteja vivendo no passado. Algumas experiências simplesmente deixam marcas que podem ser reativadas em determinadas situações ou datas.


Ao mesmo tempo, também vale olhar para quem fez diferença em sua caminhada. Nem sempre os laços mais importantes são definidos pelo sangue. Muitas pessoas encontram apoio, segurança e acolhimento em alguém que escolheu estar presente, independentemente do parentesco.


A psicoterapia pode ser um espaço importante para compreender essas histórias. Não com o objetivo de mudar o passado ou encontrar culpados, mas de entender como essas experiências influenciam a vida hoje. Quando conseguimos olhar para a nossa história com mais clareza, também conseguimos construir relações mais saudáveis e desenvolver uma forma diferente de lidar com aquilo que nos marcou.


Nem todas as pessoas vão viver o Dia dos Pais da mesma maneira, e isso precisa ser respeitado. Algumas vão comemorar, outras vão sentir saudade, algumas vão preferir o silêncio e outras talvez descubram que ainda precisam elaborar sentimentos que nunca tiveram espaço para ser vividos.



Para refletir

Nem sempre podemos escolher a história que tivemos, mas podemos escolher o cuidado que oferecemos a nós mesmos a partir dela.

Reconhecer o que marcou a nossa trajetória não muda o passado, mas pode transformar a forma como seguimos em frente.



Dra. Luana Pinheiro Victório
Cuidando da saúde mental e estilo de vida
CRM/PR 58013
Instagram: @‌luanapvictorio

Comentários


bottom of page