Ansiedade: seu cérebro não foi feito para ter 50 abas abertas
- Dra. Luana Pinheiro Victório
- há 2 dias
- 3 min de leitura

Costumo explicar a ansiedade de uma forma simples.
Imagine um computador com muitas abas abertas ao mesmo tempo. No começo ele continua funcionando normalmente, mas, conforme novas abas vão sendo abertas, o sistema fica mais lento, consome mais energia e começa a ter dificuldade para executar tarefas simples. Com a nossa mente acontece algo parecido.
A ansiedade é um mecanismo natural de defesa do nosso corpo. Ela existe para nos ajudar a perceber perigos e reagir rapidamente quando necessário.
Quando o cérebro entende que algo merece atenção, ele libera substâncias que deixam o organismo mais alerta, aumentando a atenção, acelerando os batimentos cardíacos e preparando o corpo para agir.
Ao mesmo tempo, as substâncias responsáveis pela sensação de calma e bem-estar podem ficar em segundo plano. Por isso, quando estamos muito ansiosos, é comum sentir o coração acelerado, dificuldade para relaxar, tensão muscular e uma sensação constante de preocupação.
Sentir ansiedade antes de uma apresentação, de uma viagem ou diante de uma decisão importante é algo esperado e faz parte do funcionamento normal do ser humano. Nesses momentos, a ansiedade nos ajuda a ficar mais atentos e preparados.
O problema acontece quando esse estado de alerta permanece ligado mesmo quando não há uma ameaça real, fazendo com que a mente e o corpo funcionem como se estivessem sempre se preparando paraum perigo que não existe.
Nessa situação começam a aparecer sintomas como coração acelerado, tensão muscular, irritabilidade, dificuldade para dormir, sensação de cansaço constante, problemas gastrointestinais e aquela impressão de que a mente nunca consegue desligar. Muitas vezes não existe um perigo real naquele momento, mas o corpo continua reagindo como se existisse.
Um hábito muito comum que pode contribuir para esse ciclo é o excesso de cafeína.
Para quem já tem tendência à ansiedade, aquele café consumido várias vezes ao longo do dia pode acabar mantendo o cérebro em um estado constante de alerta.
A cafeína estimula o organismo e pode aumentar sintomas como coração acelerado, inquietação, tremores, dificuldade para relaxar e sensação de nervosismo. Isso não significa que todo mundo precise abandonar o café, mas vale observar como o próprio corpo reage e se a quantidade consumida está ajudando ou piorando os sintomas.
A boa notícia é que existem maneiras naturais de ajudar o cérebro a encontrar mais equilíbrio.
Dormir bem, praticar atividade física regularmente, reduzir o excesso de cafeína, manter momentos de lazer, ter contato com a natureza, aprender técnicas de respiração e reservar períodos do dia para desacelerar são medidas que ajudam a regular os sistemas relacionados à ansiedade.
A atividade física, por exemplo, contribui para a liberação de serotonina, endorfinas e outros neurotransmissores associados à sensação de bem-estar.
A psicoterapia também tem um papel importante, pois ajuda a identificar gatilhos, modificar padrões de pensamento e desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com as preocupações do dia a dia. Em alguns casos, a avaliação médica pode ser necessária para definir outras formas de tratamento.
Dica somente/ Dica de ouro: nem toda preocupação merece atenção imediata. Antes de gastar energia mental com um pensamento, pergunte-se: “Existe algo que eu posso fazer em relação a isso agora?”.
Se a resposta for não, talvez seja apenas mais uma aba aberta consumindo recursos desnecessariamente.
Aprender a fechar algumas delas não significa ignorar os problemas, mas preservar energia para lidar melhor com aquilo que realmente depende de você.



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