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Ludopatia: quando o jogo deixa de ser diversão

Thyago Monteiro
há 10 horas
2 min de leitura

Para algumas pessoas, apostar começa como uma forma de entretenimento. Uma brincadeira, uma expectativa, uma tentativa de ganhar um pouco mais. O problema começa quando o jogo deixa de ocupar um espaço de lazer e passa a ocupar espaço demais na vida.

A ludopatia, também conhecida como transtorno do jogo, está relacionada à dificuldade de controlar o comportamento de apostar, mesmo quando ele começa a trazer consequências para a vida financeira, familiar, profissional ou emocional.



Mas por que pode ser tão difícil parar?

Um dos fatores envolvidos é o sistema de recompensa do cérebro. A dopamina participa de processos relacionados à motivação, expectativa e aprendizagem. Nas apostas, a incerteza do resultado pode manter a pessoa envolvida na expectativa de ganhar, fazendo com que ela queira repetir a experiência.



Isso não significa que a ludopatia seja simplesmente uma “dependência de dopamina”.

O comportamento é complexo e pode envolver diferentes fatores psicológicos, biológicos e sociais.

Um dos momentos mais preocupantes acontece quando a pessoa começa a apostar para recuperar aquilo que perdeu. Uma perda gera a vontade de tentar novamente, uma nova aposta pode gerar outra perda e, aos poucos, esse ciclo pode se tornar cada vez mais difícil de interromper.



Também é importante observar mudanças no cotidiano.

Quando a pessoa passa a pensar constantemente em apostas, aumenta os valores envolvidos, esconde o quanto está jogando, contrai dívidas ou percebe conflitos com familiares e prejuízos na rotina, é importante parar e olhar para o que está acontecendo.

Nesse momento, pedir ajuda não significa falta de força de vontade. Significa reconhecer que existe um comportamento que merece atenção.



A psicoterapia pode ser um espaço importante nesse processo. Mais do que simplesmente dizer para alguém “parar de apostar”, o trabalho psicológico busca compreender o que está por trás desse comportamento, quais situações e emoções o desencadeiam e quais estratégias podem ajudar a pessoa a recuperar autonomia sobre suas escolhas.




Cuidar da ludopatia também é cuidar da saúde mental, dos relacionamentos e da própria qualidade de vida.




Thyago Monteiro

Psicólogo — CRP 06/224716

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