Quem você segue importa. Como as redes sociais moldam autoestima, comportamentos e decisões invisíveis

Nem tudo o que influencia nossas escolhas é percebido por nós. O conteúdo que consumimos diariamente também participa da construção da maneira como pensamos, sentimos e agimos.
Você já parou para pensar em como as pessoas que acompanha nas redes sociais influenciam sua maneira de enxergar o mundo, seu corpo, seus relacionamentos e até suas decisões?
As redes sociais não são apenas espaços de entretenimento e comunicação. Elas também funcionam como ambientes de aprendizagem social, nos quais observamos comportamentos, absorvemos referências e construímos percepções sobre o que é desejável, bonito, aceitável ou considerado sucesso.
Na perspectiva da Psicologia, nossas atitudes e crenças são influenciadas pelas experiências e pelos ambientes em que estamos inseridos.
Por isso, os conteúdos que consumimos podem participar, muitas vezes de maneira inconsciente, da construção da nossa identidade e autoestima.
A comparação que acontece sem perceber
Ao acompanhar influenciadores, celebridades e outros perfis, podemos começar a comparar nossa realidade com padrões apresentados nas telas. Corpos, conquistas profissionais, relacionamentos, viagens e estilos de vida podem parecer referências que precisamos alcançar.
O problema surge quando essas referências passam a ser critérios para avaliar nosso próprio valor. A comparação frequente pode favorecer sentimentos de inadequação, ansiedade, insatisfação e baixa autoestima.
É importante lembrar: você está comparando sua vida real com recortes cuidadosamente selecionados da vida de outras pessoas.
O que você consome também influencia seu comportamento
Na Psicologia, a aprendizagem por observação explica como as pessoas podem aprender comportamentos observando outras pessoas e as consequências de suas ações.
Nas redes sociais, isso pode acontecer quando reproduzimos formas de falar, padrões de consumo, opiniões, hábitos, comportamentos e até maneiras de nos relacionar.
Além disso, a repetição de determinados conteúdos pode fazer com que algumas ideias pareçam naturais ou verdadeiras, mesmo quando não foram analisadas cuidadosamente.
As decisões invisíveis: quem está influenciando suas escolhas?
A influência digital nem sempre é evidente. Ela pode aparecer na vontade de comprar algo porque todos estão usando, na mudança da aparência para atender a determinado padrão, na adoção de comportamentos para conseguir aceitação ou na construção de opiniões a partir de conteúdos repetidamente visualizados.
Os algoritmos também participam desse processo, recomendando conteúdos com base nas interações e preferências identificadas nas plataformas. Assim, podemos permanecer expostos a ideias semelhantes, reduzindo o contato com diferentes perspectivas.
Isso não significa que perdemos nossa capacidade de escolha, mas que precisamos desenvolver consciência e pensamento crítico sobre aquilo que consumimos.
Como desenvolver uma relação mais saudável com as redes sociais?
Observe quem você acompanha: esse conteúdo inspira, informa e acolhe ou provoca comparação e sentimentos de inferioridade?
Questione o que consome: nem tudo o que aparece nas redes representa uma verdade ou uma referência saudável.
Diversifique suas referências: acompanhe conteúdos que valorizem diferentes experiências, realidades e perspectivas.
Reconheça suas emoções: perceba como você se sente depois de utilizar as redes sociais.
Faça escolhas conscientes: não transforme tendências, opiniões e padrões digitais em obrigações pessoais.
Valorize sua individualidade: suas decisões devem considerar seus valores, necessidades e objetivos, e não apenas expectativas externas.
Quando procurar ajuda psicológica?
Quando a influência das redes sociais começa a comprometer a autoestima, provocar sofrimento emocional, gerar necessidade excessiva de aprovação ou interferir nas relações e decisões pessoais, o acompanhamento psicológico pode ajudar.
A psicoterapia favorece o autoconhecimento, a identificação de padrões de pensamento e comportamento e o desenvolvimento de maior autonomia emocional.
Uma reflexão para você:
As pessoas que você acompanha estão contribuindo para quem você deseja ser ou fazendo você acreditar que precisa ser alguém diferente para ter valor?
Escolher quem acompanhamos também é uma forma de cuidar da nossa saúde mental. Afinal, não precisamos viver de acordo com padrões construídos por outras pessoas. Precisamos desenvolver a capacidade de reconhecer quem somos, o que valorizamos e quais escolhas fazem sentido para nossa própria história.Cuide do que você consome. Cuide do que você acredita. Cuide de quem você está se tornando.
Gladys Krishna
Psicóloga | Equoterapeuta
CRP 06/224458
Instagram: @psigladys.eequoterapeuta
Referências
BANDURA, Albert. Social foundations of thought and action: a social cognitive theory. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1986.
DA CONCEIÇÃO SILVA, Marina. A relação entre redes sociais e autoestima. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 7, n. 4, p. 417-439, 2021.
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PRIMO, Alex. O que há de social nas mídias sociais? Reflexões a partir da teoria ator-rede. Contemporânea: Revista de Comunicação e Cultura, v. 10, n. 3, p. 618-641, 2012.
BARROS JÚNIOR, Antônio Carlos de. Quem vê perfil não vê coração: a ferida narcísica de desempregados e a construção de imagens de si no Facebook e no LinkedIn. Tese de Doutorado. Instituto de Psicologia, 2014.



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