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Quem você segue importa. Como as redes sociais moldam autoestima, comportamentos e decisões invisíveis

Gladys Krishna
4min
3 min de leitura

Nem tudo o que influencia nossas escolhas é percebido por nós. O conteúdo que consumimos diariamente também participa da construção da maneira como pensamos, sentimos e agimos.



Você já parou para pensar em como as pessoas que acompanha nas redes sociais influenciam sua maneira de enxergar o mundo, seu corpo, seus relacionamentos e até suas decisões?

As redes sociais não são apenas espaços de entretenimento e comunicação. Elas também funcionam como ambientes de aprendizagem social, nos quais observamos comportamentos, absorvemos referências e construímos percepções sobre o que é desejável, bonito, aceitável ou considerado sucesso.

Na perspectiva da Psicologia, nossas atitudes e crenças são influenciadas pelas experiências e pelos ambientes em que estamos inseridos.

Por isso, os conteúdos que consumimos podem participar, muitas vezes de maneira inconsciente, da construção da nossa identidade e autoestima.



A comparação que acontece sem perceber

Ao acompanhar influenciadores, celebridades e outros perfis, podemos começar a comparar nossa realidade com padrões apresentados nas telas. Corpos, conquistas profissionais, relacionamentos, viagens e estilos de vida podem parecer referências que precisamos alcançar.

O problema surge quando essas referências passam a ser critérios para avaliar nosso próprio valor. A comparação frequente pode favorecer sentimentos de inadequação, ansiedade, insatisfação e baixa autoestima.

É importante lembrar: você está comparando sua vida real com recortes cuidadosamente selecionados da vida de outras pessoas.



O que você consome também influencia seu comportamento

Na Psicologia, a aprendizagem por observação explica como as pessoas podem aprender comportamentos observando outras pessoas e as consequências de suas ações.

Nas redes sociais, isso pode acontecer quando reproduzimos formas de falar, padrões de consumo, opiniões, hábitos, comportamentos e até maneiras de nos relacionar.

Além disso, a repetição de determinados conteúdos pode fazer com que algumas ideias pareçam naturais ou verdadeiras, mesmo quando não foram analisadas cuidadosamente.



As decisões invisíveis: quem está influenciando suas escolhas?

A influência digital nem sempre é evidente. Ela pode aparecer na vontade de comprar algo porque todos estão usando, na mudança da aparência para atender a determinado padrão, na adoção de comportamentos para conseguir aceitação ou na construção de opiniões a partir de conteúdos repetidamente visualizados.

Os algoritmos também participam desse processo, recomendando conteúdos com base nas interações e preferências identificadas nas plataformas. Assim, podemos permanecer expostos a ideias semelhantes, reduzindo o contato com diferentes perspectivas.

Isso não significa que perdemos nossa capacidade de escolha, mas que precisamos desenvolver consciência e pensamento crítico sobre aquilo que consumimos.



Como desenvolver uma relação mais saudável com as redes sociais?

  • Observe quem você acompanha: esse conteúdo inspira, informa e acolhe ou provoca comparação e sentimentos de inferioridade?

  • Questione o que consome: nem tudo o que aparece nas redes representa uma verdade ou uma referência saudável.

  • Diversifique suas referências: acompanhe conteúdos que valorizem diferentes experiências, realidades e perspectivas.

  • Reconheça suas emoções: perceba como você se sente depois de utilizar as redes sociais.

  • Faça escolhas conscientes: não transforme tendências, opiniões e padrões digitais em obrigações pessoais.

  • Valorize sua individualidade: suas decisões devem considerar seus valores, necessidades e objetivos, e não apenas expectativas externas.



Quando procurar ajuda psicológica?

Quando a influência das redes sociais começa a comprometer a autoestima, provocar sofrimento emocional, gerar necessidade excessiva de aprovação ou interferir nas relações e decisões pessoais, o acompanhamento psicológico pode ajudar.

A psicoterapia favorece o autoconhecimento, a identificação de padrões de pensamento e comportamento e o desenvolvimento de maior autonomia emocional.



Uma reflexão para você:

As pessoas que você acompanha estão contribuindo para quem você deseja ser ou fazendo você acreditar que precisa ser alguém diferente para ter valor?

Escolher quem acompanhamos também é uma forma de cuidar da nossa saúde mental. Afinal, não precisamos viver de acordo com padrões construídos por outras pessoas. Precisamos desenvolver a capacidade de reconhecer quem somos, o que valorizamos e quais escolhas fazem sentido para nossa própria história.Cuide do que você consome. Cuide do que você acredita. Cuide de quem você está se tornando.



Gladys Krishna

Psicóloga | Equoterapeuta

CRP 06/224458

Instagram: @psigladys.eequoterapeuta



Referências

BANDURA, Albert. Social foundations of thought and action: a social cognitive theory. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1986.

DA CONCEIÇÃO SILVA, Marina. A relação entre redes sociais e autoestima. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 7, n. 4, p. 417-439, 2021.

GABRIEL, Martha. Você, eu e os robôs: pequeno manual do mundo digital. São Paulo: Atlas, 2018.

PRIMO, Alex. O que há de social nas mídias sociais? Reflexões a partir da teoria ator-rede. Contemporânea: Revista de Comunicação e Cultura, v. 10, n. 3, p. 618-641, 2012.

BARROS JÚNIOR, Antônio Carlos de. Quem vê perfil não vê coração: a ferida narcísica de desempregados e a construção de imagens de si no Facebook e no LinkedIn. Tese de Doutorado. Instituto de Psicologia, 2014.



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